terça-feira, 2 de março de 2010

Rita Apoena

Quando um paizinho dorme para sempre, ele não atende mais o telefone, não aparece no portão, não adianta chamá-lo pelo nome ou dizer que é dia de futebol.

É que quando um paizinho dorme para sempre, ele fica espalhado no mundo, em todas as coisas pequenas, e a gente precisa de muita delicadeza para encontrá-lo de volta.

No começo, a gente só o encontra nos suspiros da mãe, nos olhos do cachorro esperando no portão, na cadeira vazia, no remendo do armário, no prego segurando o quadro, na garrafa de vinho, pela metade.

Aos pouquinhos e devagar, a gente começa a encontrá-lo nas alegrias do mundo, no vôo das cotovias, no desenho das nuvens formando barquinhos e caravelas, numa pessoa sem mágoa, na toalha sem nódoa, e até quando felizes nossos olhos vão se enchendo d'água...

segunda-feira, 1 de março de 2010

De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

posso ser leve como uma brisα ou forte como umα ventaniα,
depende de quando e como você me vê passαr.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nunca disse que seria fácil. Disse apenas que compensaria.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cem anos de solidão

“...Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações.

E perguntando e perguntando ia atiçando sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.

– Porra! – gritou.

Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.

– Onde está? – perguntou alarmada.

– O quê?

– O animal! – esclareceu Amaranta.

Úrsula pôs o dedo no coração.

– Aqui – disse.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Colombina


Meu amor se compõe do amor de todos dois
Hesitante entre vós, o coração balanço:

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrot...

Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...e a Pierrot, minha alma!

Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho,
Pois um dá-me prazer, o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar e,
em verdade, toda razão do amor está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
Se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,


Porque a história do amor só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrot
E um beijo de Arlequim!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Terra...

Nos tempos de hoje,
achei q seria válido relembrar uma carta,
que eu considero um Ode a nossa mãe Terra.

Eh um pouco extensa mas vale a pena ler.